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Conhecer a pele e suas variações é muito importante quando se trata de tratamentos estéticos funcionais.
Com o crescimento da tecnologia, e cada vez mais os procedimentos minimamente invasivos e mais agressivos em alta, se faz necessário aumentar nosso nível de conhecimento quanto aos tipos de pele e suas variações com relação aos efeitos colaterais de tais técnicas.
Existem diferenças importantes a se levar em consideração de acordo com tipo de pele no contexto: da perda de água transepidérmica (TEWL), conteúdo de água (WC) [por meio da condutância, capacitância, resistência e impedância], reatividade dos vasos sanguíneos, gradiente de pH, função sebácea, morfologia e distribuição dos melanossomas e resistência a lesão. Essas diferenças são influenciadas muitas vezes por vários grupos étnicos.
De acordo com um Artigo publicado ( British Journal of Dermatology · Novembro de 1998 - Fonte: PubMed), foi constado que peles negras tem maior incidência de perda da água que peles brancas, assim como também ocorre uma diferença no nível de pH, além disso alguns estudos mostram que a TEWL em peles asiáticas podem ser iguais a dos negros e maiores que a dos caucasianos.
Bem, uma outra situação que merece atenção é quanto a produção de melanina que é diferente dependendo do tipo de pele. Sabemos hoje que a base de Fitzpatrick, nos direciona quanto ao fototipo de pele, deixando claro os ricos com pigmentação inflamatória em fototipos mais altos. Porém a miscigenação racial, hoje comum entre as nações, também leva a características hereditárias em pessoas de peles fototipos mais baixo, incidirem em pigmentação inflamatória. Van Nieuwport et al, demonstraram que, com aumento da melanogênese, os melanossomas da pele clara não apresentam alteração superficial significativa, mas os melanossomas da pele escura apresentam aumento de superfície e volume.
Os dados objetivos nos estudos sobre diferenças étnicas nas propriedades da pele não apenas enfatizam o valor da investigação dos processos de doenças, assim como as diferentes respostas aos tratamentos estéticos conforme a etnia da pele, levando em consideração que existes variáveis fisiológicas envolvidas.
Portanto é fundamental a analise diferenciada da pele, na tomada de decisão quanto a escolha do melhor caminho a se tomar para as soluções inestéticas da pele. Sempre precisamos levar em consideração além do tipo de pele também sua condição e suporte para reparo tecidual. Isso com certeza irá amenizar os riscos de intercorrências, levando a um tratamento estético mais seguro e eficaz.
 

sandra costa

Sandra Costa
Esteticista Especialista em Cosmetologia e Marketing.
Profª da Pos Graduação em Estética. Ministrante de Cursos de Atualização em Estética Facial e Corporal.
Consultora Técnica MMO Equipamentos.

Muitos homens encaram o tratamento estético como algo desnecessário. No nosso país ainda existe a cultura de que ser vaidoso e ter cuidados com a pele é característica que pode ser atribuída somente a mulheres.
A estética masculina é vista ainda por alguns com muito preconceito.

Rotina e tendências do homem moderno
 
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Algumas tendências foram identificadas no homem moderno, após pesquisas realizadas, segundo Felipe Zobaran Diretor do Núcleo Homem da Editora Abril – podemos observar uma mudança no comportamento do público masculino em relação a:
A atuação do homem nas tarefas do lar, a liberdade emocional, maior consumo nos itens de cuidados pessoais, a preocupação com o bem-estar, etc.
As tendências mostram que atualmente eles assumem responsabilidades e funções que antes eram de exclusividade feminina, são intelectualmente ativos e buscam qualidade de vida.
A beleza está passando a ser vista não somente como exclusividade das mulheres, mas cada vez mais vemos a presença masculina nos salões de beleza e clinicas de estética de todo o mundo. Eles se preocupam com a pele, com o cabelo e até mesmo com as unhas.
E para atendê-los de forma diferenciada, as clinicas de estéticas e seus profissionais adequaram seus tratamentos, buscando conhecimento para trazer o que há melhor no mercado para satisfação do público masculino.
 
 
Sobre a pele masculina – diferenças
 
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Enquanto a pele feminina tende a mudar após eventos importantes como gravidez e menopausa, a pele do homem envelhece linearmente através do tempo. Isso resulta em menos elasticidade e uma pele mais seca ao longo dos anos. Devido diferenças hormonais a pele fica mais espessa, oleosa e com maior quantidade de pelos.
O grau de envelhecimento da pele depende de fatores intrínsecos como o código genético e o relógio biológico de cada um, mas também depende de fatores extrínsecos ou estilo de vida que podem acelerar o processo de degradação da pele como fumo, bebida alcoólica, exposição solar, falta de sono e estresse, gerando assim o envelhecimento precoce da pele.
 
 
O processo de barbear
 
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O processo de barbear é normalmente traumático para pele, é preciso observar que existem diferente tipos de lâminas, que podem ser direcionadas de acordo com cada tipo de pele e também do pelo, evitando assim processos inflamatórios como a foliculite, que deixa a pele irritada e marcada.
Após a retirada dos pelos e preciso hidratar e acalmar a pele com o uso de produtos adequados pós-barba que cumpre essas funções, além de evitar o ressecamento possuem ingredientes que reduzem a irritação causada pela lâmina e refrescam a pele.
E para aqueles que gostam de manter a barba, e preciso cuidados especiais para aparar e manter os pelos hidratados e macios.
Os recursos estéticos que podemos destacar nos cuidados da pele masculina são produtos dermocosméticos de alta tecnologia no tratamento e prevenção do envelhecimento da pele, peelings, laser, vacuoterapia, radiofrequência, etc.
 
 
Calvície
 
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Uma outra situação que acomete mais o público masculino, é a queda de cabelos, gerando a famosa calvície, atualmente o mercado estético cresceu muito nesta área, e muitos estudos clínicos e científicos, comprovam a eficácia de tratamentos como microagulhamento, laser de baixa intensidade, vácuo e endermologia, cosmetologia aplicada, enfim... muitas opções e combinações de técnicas favorecem os resultados.
Clinicas com profissionais especializados oferecem sempre tecnologias diferenciadas para garantir o sucesso do seu tratamento.
 
 

sandra costa

Sandra Costa
Esteticista Especialista em Cosmetologia e Marketing.
Profª da Pos Graduação em Estética. Ministrante de Cursos de Atualização em Estética Facial e Corporal.
Consultora Técnica MMO Equipamentos.

Texto por: Letícia Lang e Emanuela Paluski Pereira

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A osteonecrose dos maxilares é uma complicação oral cada vez mais frequente nos dias atuais, devido ao crescente uso de medicações antirreabsortivas, como os bisfosfonatos e Denosumab. Para tratamento dessa complicação, muitas terapias têm sido propostas, sendo a cirurgia uma das mais resolutivas, associada a outras terapias de controle de infecção, como antibioticoterapia e terapia fotodinâmica antimicrobiana, por exemplo. Porém, um dos grandes desafios do cirurgião dentista, ao realizar uma cirurgia para remoção desse osso necrótico é justamente ter a certeza de que está removendo todo o osso afetado, já que ao remover menos do que o necessário haverá muita chance de recidiva e se remover em excesso pode comprometer o osso remanescente, fragilizando-o e levando ao risco de  fratura.

Um parâmetro muito comum utilizado para avaliar a viabilidade óssea em cirurgias orais é verificar o sangramento do osso. Entretanto, quando estamos falando de osteonecrose provocada por medicamentos, esse recurso pode falhar, pois estudos histológicos mostram que o sangramento ósseo nem sempre se correlaciona com vitalidade óssea em toda a extensão avaliada, o que torna muito difícil delimitar as margens cirúrgicas livres de necrose. Com isso, não é incomum que, mesmo cirurgiões mais experientes, ao realizarem uma cirurgia para remoção de osso necrótico em pacientes com osteonecrose por bisfosfonato acabem por não remover todo o osso afetado, comprometendo assim o resultado do tratamento.

Para nos auxiliar nesse ponto, temos utilizado uma técnica que muito tem nos ajudado a distinguir o osso necrótico do osso vital: a fluorescência. Alguns antibióticos, como a tetraciclina e seus derivados (especialmente a Doxiciclina) têm propriedades fluorescentes e, quando administrados por um período de tempo antes do procedimento cirúrgico, incorporam-se ao osso, fazendo com que ele se apresente com uma coloração verde fluorescente, mediante o uso de uma luz de comprimento de onda em torno de 525 a 540 nm. Assim, com o uso dessa luz específica, o osso viável apresentará uma fluorescência verde brilhante no momento da cirurgia, sendo bastante diferente do osso necrótico, que não apresentará fluorescência ou apresentará somente uma fluorescência bem opaca, apagada. Com isso, utilizamos o Evince da MMO para distinguir o osso vital do osso necrótico, removendo totalmente o osso não vital, sem, no entanto, remover osso com vitalidade, preservando o remanescente ósseo saudável. Alguns artigos mostram que o osso possui uma autofluorescência e que equipamentos como o Evince podem facilmente identificar essa diferença entre vitalidade óssea e osso necrótico, sem a necessidade da utilização de antibióticos derivados de tetraciclina. Mas, ao introduzirmos a Doxiciclina, nesse caso de osteonecrose dos maxilares, estamos utilizando tanto as propriedades antimicrobianas do antibiótico, devido à sua grande afinidade pelo cálcio e, portanto, alta incorporação óssea, quanto a sua capacidade de fluorescência, o que torna a terapia ainda mais eficiente.

A técnica da fluorescência já é usada para outros fins na odontologia, como por exemplo no diagnóstico de lesões orais e diferenciação de lesões pré-malignas, sendo muito fácil de usar. Novos estudos precisam ser feitos a fim de otimizar a técnica e protocolar sua utilização, mas o uso da fluorescência tem se mostrado uma importante ferramenta em cirurgias de osteonecrose dos maxilares provocada por medicamentos.

Caso clínico realizado por Letícia Lang e Emanuela Paluski Pereira em paciente que fez uso de bisfosfonato endovenoso e apresentou osteonecrose em rebordo mandibular após trauma por prótese total.

fluorescência LETICIA LANG 01 01

Foto 1 – osteonecrose provocada por bisfosfonato, em rebordo mandibular | Foto 2 – uso do Evince mostrando o osso necrótico com uma fluorescência pálida, avermelhada, indicando a presença de bactérias | Foto 3 – após remoção do osso necrótico, o Evince mostra que todo osso necrótico foi removido, apresentando uma fluorescência verde bem brilhante

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Referências Bibliográficas:

Treatment of Medication-Related Osteonecrosis of the Jaw, Christoph Pautke in: Medication-Related Osteonecrosis of the Jaws: Bisphosphonates, Denosumab, and New Agents, Sven Otto, 2015, Springer.

Pautke C, Vogt S, Kreutzer K, Haczek C, Wexel G, Kolk A, et al. Characterization of eight different tetracyclines: advances in fluorescence bone labeling. J Anat. 2010;217(1):76–82.

Assaf AT, Zrnc TA, Riecke B, Wikner J, Zustin J, Friedrich RE, et al. Intraoperative efficiency of fluorescence imaging by Visually Enhanced Lesion Scope (VELscope) in patients with bisphosphonate related osteonecrosis of the jaw (BRONJ). J Craniomaxillofac Surg. 2013;4.

Otto S, Baumann S, Ehrenfeld M, Pautke C. Successful surgical management of osteonecrosis of the jaw due to RANK-ligand inhibitor treatment using fl uorescence guided bone resection. J Craniomaxillofac Surg. 2013;41(7):694–8.

Ristow O, Pautke C. Auto-fluorescence of the bone and its use for delineation of bone necrosis – a technical note. Int J Oral Maxillofac Surg (2014).



Tendência do mercado - Realidade da Estética Avançada - Habilidade dos profissionais da área para análise diferenciada das disfunções inestéticas.

Personalização dos tratamentos estéticos

Se voltarmos um pouco no tempo, vamos nos dar conta do quanto conseguimos evoluir dentro da área da estética. Há poucos anos atrás existia uma defasagem no Brasil com relação às tecnologias que são oferecidas mundialmente. Mas isto mudou muito, agora devido ao grande avanço da internet, temos acesso às novidades que chegam com apenas um "clique" e daí ficamos informados e temos acesso a tudo que acontece no mundo da beleza.  Temos como exemplo os tratamentos atuais a base de lasers modernos, radiofrequência, ultrassom de alta potência e os dermocosméticos que atualmente usam substâncias tecnológicas como células tronco de origem vegetal, fatores de crescimento, hidratantes de alta performance na regulação do fluxo de água na pele, agentes redutores de precisão, e muito mais.

Com estes avanços,  os profissionais da estética que trabalham a favor da beleza, devem se atualizar constantemente  em cursos e congressos nacionais e internacionais, ler e assinar revistas,  consultar sites especializados, para poder utilizar de forma otimizada os mais novos recursos tecnológicos , além de buscar o conhecimento adequado da pele para desenvolver protocolos específicos de acordo com as expectativas e necessidades de cada pessoa. Quando queremos tratar nossa pele, é muito importante saber se o profissional tem habilidades e conhecimento suficiente para propor o tratamento ideal para obter os resultados desejados.

Estamos vivendo na era da individualização, é fato que atualmente os consumidores de forma geral, procuram se diferenciar um dos outros, fugindo da padronização, divulgando publicamente sua personalidade e buscando sempre, e muito bem informado, aquilo que melhor atende suas necessidades. Dentro deste quadro é necessário que os protocolos prescritos sejam baseados no mapeamento das disfunções de cada indivíduo, como também na prevenção e amenização destas disfunções que são geradas no desencadear do envelhecimento da pele.

Bem, com tanta tecnologia e informação a disposição de todos, como fazer as escolhas certas já que o mercado oferece tantas opções?  Como saber se o tratamento oferecido foi baseado na análise de forma individual?

A grande diferença está no profissional que conduz e orienta o melhor caminho para o tratamento e adéqua a rotina do cliente para buscar resultados mais satisfatórios. Atualmente os clientes são muito participativos e questionadores e muitas vezes chegam com todas as informações na ponta da língua. Porém, precisamos compreender que somente quem detém o conhecimento pode fazer toda a diferença nas escolhas dos tratamentos. É responsabilidade do  profissional saber como dosar adequadamente os produtos  e a intensidade dos equipamentos conforme a necessidade de cada pessoa, isto é fundamental para os resultados , e com saúde não se brinca, cada individuo possui uma genética e tolerâncias diferentes  e cada profissional tem estar habilitado para fazer as avaliações de forma personalizada para direcionar sempre as melhores tecnologias em prol de resultados, afinal este é o objetivo, conseguir resultados satisfatórios , com prazos curtos e de forma segura, fazendo o diferencial de mercado.

Por meio de uma anamnese bem elaborada, pode-se dosificar a quantidade de ativos necessários e controlar as intensidades dos equipamentos utilizados, a cada situação proposta, podendo ser alterada no percurso do tratamento conforme os resultados obtidos.  Podemos então dizer que saímos da era dos protocolos generalizados para protocolos personalizados baseados no conhecimento e na valorização das diferenças e conduzindo para resultados mais efetivos em cada caso. Nada mais coerente, já que cada ser humano apresenta necessidades e respostas determinadas de acordo com seu estilo de vida e sua genética.

Diante deste cenário e da incessante busca da beleza e da pele perfeita, é importante que os profissionais estejam sempre em constante atualização para atender a expectativa dos consumidores, com inovação e credibilidade científica.

Temos sim, de valorizar o ser humano de forma única. Afinal não há ninguém com uma pele igual a outra! Inove, crie um diferencial dentro de um mercado tão concorrido!
 

sandra costa

Sandra Costa
Esteticista Especialista em Cosmetologia e Marketing.
Profª da Pos Graduação em Estética. Ministrante de Cursos de Atualização em Estética Facial e Corporal.
Consultora Técnica MMO Equipamentos.

 

Texto por: Ana Carolina Urbaczek*; Rosimeire Fernandes da Matta**; Rosane de F. Z. Lizarelli***

 

A Laserterapia é uma tecnologia que tem cada vez mais apresentado um crescimento significativo em diversas áreas médicas, para tratamento de inúmeros problemas, e também na área da estética. As propriedades terapêuticas dos LEDs e LASERs de baixa intensidade, aliadas à segurança do tratamento, são os principais responsáveis por esse crescimento (LIZARELLI, 2005; HAMBLIN, 2017; LIZARELLI, 2018).

No campo terapêutico, vários estudos demonstram que a utilização do LASER de baixa intensidade pode acelerar a cicatrização de feridas, e minimizar os prejuízos secundários a sua presença. Os efeitos primários (bioquímicos, bioelétricos e bioenergéticos) do tratamento com LASER de baixa intensidade, atuam a nível celular promovendo aumento do metabolismo, aumento da proliferação, maturação e locomoção de fibroblastos e linfócitos, intensificação da reabsorção de fibrina, aumento da quantidade de tecido de granulação e diminuição da liberação de mediadores inflamatórios, acelerando assim o processo de cicatrização e permitindo que o paciente retorne mais rápido às suas atividades de rotina (BOURGUIGNON-FILHO et al., 2005; DEMIR et al., 2004; ENWEMEKA et al., 2004).

A Parestesia é um distúrbio neuro sensitivo causado por uma lesão no tecido neural que causa distúrbios na sensibilidade nas regiões inervadas pelo nervo afetado. Frequentemente se associam à insensibilidade local um certo grau de dor e desconforto, mas principalmente à sensação de “formigamento”. Geralmente é decorrente de fatores como complicações de cirurgias odontológicas, fraturas, bloqueios anestésicos, lesões, traumas, entre outros (PRADO, 2004; LIZARELLI, 2018).

Recentemente, a Laserterapia vem sendo utilizada em casos de transtornos neurossensoriais, como é a parestesia (LIZARELLI, 2018). A irradiação da região com LASER de baixa intensidade visa a reparação das fibras nervosas periféricas e a restituição da função neuronal, propiciando a recuperação sensitiva. A regeneração nervosa se dá pela proliferação das células de Schwann, células essas que formam a bainha de mielina no sistema nervoso periférico, que correspondem às colunas celulares compactas que servem de guia para os axônios que vão se formar posteriormente. Toda essa regeneração nervosa requer grande quantidade de energia, e o LASER durante a laserterapia estimula as mitocôndrias para essa produção de energia (aumento do metabolismo energético) necessária. Além disso, o LASER de baixa intensidade aumenta a amplitude do potencial de ação das células nervosas acelerando a regeneração destas, estimulando assim a função neurosensorial (PRADO, 2004; MANDELBAUM-LIVNAT et al., 2016).

Assim, o LASER de baixa intensidade atua terapeuticamente nos sistemas biológicos, promovendo analgesia temporária, regulação do processo inflamatório, ou na biomodulação das respostas celulares. Pelo fato de que a aplicação de doses com o comprimento de onda adequado pode-se estimular o metabolismo celular, aumentar a microcirculação local e acelerar a velocidade de cicatrização, restabelecendo-se o equilíbrio fisiológico.

No caso apresentado a seguir, o paciente sofreu um acidente ao cair de uma bicicleta e apresentava dor, edema, hematomas e lesões na pele. Dois dias depois iniciou-se a laserterapia para tratamento das lesões utilizando-se o Aparelho Vênus – MMOptics (São Carlos, SP, Brasil). A sessão foi iniciada irradiando-se os principais linfonodos da face e pescoço (pré-auricular, submentoniano, submandibular, supraclavicular) com LASER infravermelho (808nm) 6J (30 segundos) por grupo de linfonodos. Em seguida, os locais de hematoma e dor foram irradiados com LASER infravermelho (808nm) sob parâmetro de 12J de energia total (60 segundos de tempo de irradiação) por área (8,9cm² – área da ponta acrílica do “cluster” do equipamento Vênus), com exceção dos hematomas da pálpebra superior onde neste local utilizou-se o LED âmbar no “Modo Vital”. Os locais de ferimento foram irradiados com o LASER vermelho (660nm) sob parâmetro de 10J de energia total (50 segundos de tempo de irradiação) por área (8,9cm² – área da ponta acrílica do “cluster” do equipamento Vênus). Além disso, durante a laserterapia local, o paciente recebeu tratamento com a terapia ILIB transcutâneo na artéria radial (ILIB TC AR) do pulso esquerdo por 30 minutos (180J), modo iL1 (Recover, MMOptics).

Na figura 1 observa-se a evolução do tratamento após 3 aplicações com intervalos de 48h. Observa-se que ao final do tratamento, não houve formação de cicatrizes no tecido que havia sido lesionado, sendo esta uma das vantagens da fotobiomodulação da cicatrização.

 

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Figura 1: Evolução do tratamento com laserterapia para recuperação das lesões, edema e dor, após 3 aplicações de LASER e LED.

 

Após a cicatrização das lesões superficiais o paciente passou a referir falta de sensibilidade na metade do lábio superior e logo abaixo do maxilar. Foram então realizadas 2 sessões utilizando-se o aparelho Laser Duo – MMOptics (São Carlos, SP, Brasil) com intervalo de 48h entre cada sessão. Foram irradiadas as ramificações dos nervos infra-orbitário e alveolar superior (figura 2), com LASER infravermelho (808nm), sendo os dois pontos com energia total de 90J (15 minutos parado) cada um, sendo um em contato com a mucosa gengival no local anatômico referente à fossa canina - ramo do nervo alveolar superior, e outro ponto extra-oral – forame infra-orbitário, em contato com a pele.

 

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Figura 2: (A) Região onde o paciente relatava falta de sensibilidade, nos pontos vermelhos havia referência de leve dor. (B) ramos dos nervos possivelmente atingidos com o trauma e correlacionados com a região de desconforto referida pelo paciente. (C) aplicação de LASER infravermelho (808nm) 90J (15 minutos parado) no ramo do nervo infraorbitário. (D) aplicação de LASER infravermelho (808nm) 90J (15 minutos parado) no ramo do nervo alveolar superior.

 

Após a primeira sessão o paciente relatou melhora na sensação dolorosa e recuperação da sensibilidade na região. Após 48h foi realizada a segunda sessão e depois de alguns dias o paciente relatou plena recuperação da sensibilidade.

Desta forma, a Fotobiomodulação com LASER em Baixa Intensidade tem se mostrado uma importante terapia coadjuvante na recuperação de pacientes submetidos a traumas acidentais. Conclui-se assim que a laserterapia é uma alternativa de tratamento eficaz para o tratamento de lesões superficiais da pele / feridas e de casos de distúrbios neurossensitivos / parestesias. O seu mecanismo de ação cicatrizador restaura o tecido cutâneo e a função neural, sendo vantajoso por não ser um método doloroso nem tampouco traumático e minimiza a formação de cicatrizes. A rápida recuperação do paciente comprova que quanto antes for iniciado o tratamento com LASER após o trauma nervoso, melhor torna-se o prognóstico de recuperação da sensibilidade.

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Autoras:

*Ana Carolina Urbaczek - Biomédica Esteta, PhD em Biociências e Biotecnologia Aplicadas à Farmácia pela UNESP, colaboradora do Instituto de Física de São Carlos – IFSC-USP e colaboradora do Instituto de Pesquisa e Ensino em Biofotônica - IPEB.

** Rosimeire Fernandes da Matta - Bióloga e Esteticista, Docente de Biofotônica Capilar e Corporal no IPEB.

*** Rosane de F. Z. Lizarelli - Cirurgiã-Dentista, Pesquisadora na área de Biofotônica desde 1994 pela USP; PhD em Biofotônica pelo IFSC-USP, Sócia-Diretora do IPEB; e, Consultora Científica da MMOptics.

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Referências Bibliográficas:

BOURGUIGNON-FILHO, A. M. et al. Utilização do laser no processo de cicatrização tecidual: revisão de literatura. Revista Portuguesa de Estomatologia e Cirurgia Maxilo-facial, v. 46, n. 1, p. 37-43, 2005.

DEMIR, H.; BALAY, H.; KIRNAP, M. A. Comparative study of the effects of electrical stimulation and laser treatment on experimental ound healing in rats. Journal of Rehabilitation Research and evelopment, v. 41, n. 2, p. 147–54, 2004.

ENWEMEKA, C. S.; PARKER, J. C.; DOWDY, D. S.; HARKNESS, E. E.; SANFORD, L. E.; WOODRUFF, L. D. The eficacy of low-power laser in tissue repair and pain control: a metaánalysis study. Photomed Laser surg, v. 22, n. 4, p. 323-9, 2004.

HAMBLIN, M. R. Mechanisms and applications of the anti-inflammatory effect of photobiomodulation. AIMS Biophys., v. 4. n. 3, p. 337-361, 2017.

LIZARELLI, R. F. Z. Protocolos Clínicos Odontológicos - Uso do laser de baixa intensidade - 2a. Edição. 2. ed. São Carlos: Bons Negócios, 2005. v. 1. 90p.

LIZARELLI, R. F. Z. Reabilitação Biofotônica Orofacial. 1. ed. São Carlos: Compacta, 2018. v. 1. 400p.

MANDELBAUM-LIVNAT, M. M. et al. Photomedicine and Laser Surgery, v. 34, n. 12, p. 638-645, 2016.

PRADO, M. M. B. Estudo sobre a parestesia do nervo alveolar inferior pós-cirurgias de terceiros molares inferiores. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Faculdade de Odontologia de São Paulo, Universidade de São Paulo, 2004. 43p.