Veículo: Site: São Carlos em Rede – Seção: Notícias – 05/12/2011

Na sexta-feira (2/12) a imprensa brasileira destacou a história de um menino inglês que, após cinco anos na luta contra um tipo raro de câncer, apresentou uma significativa melhora em seu quadro clínico depois de se submeter a um tratamento a base de terapia fotodinâmica (TFD). Método que cada vez mais tem mostrado sua eficácia no combate a uma das doenças que mais matam no mundo, a TFD também está disponível no Brasil. Quarto produtor mundial em equipamentos médicos, o país acaba de obter da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o registro para comercializar um produto inovador no combate ao câncer de pele, por meio da TFD.

 

Bagnato tem pesquisa inovadora em São Carlos/Foto Fapesp

Denominado Lince, o aparelho foi desenvolvimento pela empresa MM Optics, com sede em São Carlos, em parceria com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. Inédito no mundo, o equipamento conjuga, em uma única plataforma, a capacidade de realizar de modo integrado o diagnóstico por fluorescência óptica e tratar em seguida a doença através da terapia fotodinâmica. “Estamos falando de um aparelho que torna possível a análise das lesões cancerosas e o tratamento da doença no mesmo dia. Esse procedimento funciona passando um medicamento fotossensível que é absorvido pelas células tumorais, levando-as à morte quando iluminadas pela luz do equipamento”, explica o físico Vanderlei Bagnato, vice-diretor do IFSC.

Tratamento via SUS – Como o desenvolvimento do Lince teve um aporte da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) da ordem de R$ 2,3 milhões, a MM Optics , como contrapartida, uniu-se ao IFSC e ao Hospital Amaral Carvalho (localizado em Jaú – 300 Km de São Paulo – e referência no tratamento de câncer) para a criação do programa “Terapia Fotodinâmica Brasil”.

Implementado no último mês de julho, o projeto envolve a doação de 100 Linces para centros médicos de todo o País, viabilizando o tratamento gratuito para cerca de 8.000 portadores de câncer de pele no período de um ano. Cidades de vários estados, como a própria Jaú, Niterói (RJ), Teresina (PI), Campinas (SP), Rondonópolis (MT), Salvador (BA), Presidente Prudente (SP), Santa Bárbara D’Oeste (SP) e São Carlos já estão utilizando o aparelho através do programa, tanto em unidades de saúde privadas como também nas públicas via Sistema Único de Saúde (SUS).

“Durante a fase de testes, 150 pacientes foram tratados e o índice de cura superou 90%. Com a criação do programa, a manutenção desses resultados irá legitimar a terapia. Com isso, e levando em conta as vantagens dessa técnica, estamos otimistas quanto à adoção do Lince pelo Governo Federal dentro do SUS”, comemora Fernando Ribeiro, diretor de engenharia da MM Optics.

Flora Bernardi foi uma das primeiras pacientes a testar a tecnologia. Ela tem câncer de pele há dez anos e já realizou diversas cirurgias, enxertos e radioterapia. “A radioterapia é muito mais dolorida. A terapia foto dinâmica é uma coisa mais suportável e o resultado aparece mais rapidamente”, conta aliviada a aposentada de São Carlos.

A um custo médio de R$ 13 mil, o Lince é a grande aposta dos executivos da empresa para 2012. Segundo Ribeiro, a expectativa é comercializar em média 20 equipamentos por mês. “Poucos dias depois da divulgação do registro da Anvisa no Diário Oficial, já comercializamos um aparelho e temos vários em negociação. Acreditamos que o Lince terá grande aceitação nos mercados nacional e internacional”, prevê o engenheiro da empresa.