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A osteoartrite (OA), popularmente conhecida como artrose, é o tipo mais comum de artrite e é uma doença crônica que acomete articulações e tecidos periarticulares, caracterizada por degeneração progressiva da cartilagem e modificações no osso subcondral. Estruturalmente por estar em movimentação constate ou uso repetitivo, a mão sofre importante sobrecarga durante as atividades de vida diária (AVDs) e é uma das articulações mais acometida pela OA.

Considerada como a doença musculoesquelética mais comum no processo de envelhecimento, a OA apresenta alta prevalência na população e gera impacto e altos custos socioeconômicos ao indivíduo e ao sistema de saúde. O indivíduo com OAM apresenta limitações em graus variados em suas AVDs, como vestir-se, preparar sua comida, abrir caixas e potes, manusear objetos que ofereçam resistência, lidar com trabalhos artesanais, etc. Os principais fatores de risco para a OAM são envelhecimento, predisposição genética, obesidade, gênero (feminino) e fatores mecânicos.

A OAM manifesta-se por episódios inflamatórios da sinóvia articular (sinovite), que está intimamente relacionada com o processo de degeneração da cartilagem e com a dor. O exame radiográfico é representado por estreitamento do espaço articular, esclerose do osso subcondral, formação de osteófitos, deformidade lateral e colapso cortical ósseo. Clinicamente, a OA ocasiona dor e limitação funcional, o que reduz a qualidade de vida do indivíduo. As articulações da mão geralmente acometidas são: carpometacarpal (principalmente 1º dedo), metacarpofalangeanas e interfalangeanas proximal e distal (mais comum).

Em relação ao manejo dos sintomas da OAM, abordagens não-farmacológicas são incentivadas. Nesse cenário, a Laserterapia de Baixa Intensidade (LBI) intervém no processo inflamatório e modula a dor. Apresenta a grande vantagem de atuar localmente e substituir o uso de anti-inflamatórios sistêmicos. Convém que a LBI seja aplicada por um profissional capacitado, de maneira coerente e de acordo com os parâmetros ajustados às diretrizes internacionais, como a WALT (World Association Laser Therapy).

O RECOVER, aparelho portátil e de baixo custo, é uma ótima opção para o tratamento dos sintomas da OAM. O quadro a seguir contém uma sugestão de conduta, bem como os possíveis pontos de aplicação (Figura 1).

Comprimento de Onda (nm) Potência (mW) Energia (J)*WALT Frequência de aplicações Número de sessões
808 100 4/ponto 2 a 3x/semana 8 a 12

pontos LBI mão

Figura 1. Imagem radiográfica representativa das articulações da mão sem a doença (à esquerda) e mão de um paciente com OAM (à direita). Sugestão de pontos de aplicação da LBI nas articulações interfalangeanas distal/proximal, metacarpofalangeanas, carpometacarpal e radiocarpal (de acordo com o caso clínico).

Dra. Ana Elisa Serafim Jorge, Fisioterapeuta

Referências:

BROSSEAU L, WELCH V, WELLS G, et al. Low level laser therapy (Classes I, II, and III) for treating osteoarthritis. Cochrane Database Syst Rev. 2004, 3:CD002046.

HART, D. J.; SPECTOR, T. D. Definition and epidemiology of osteoarthritis of the hand: A review. Osteoarthritis and Cartilage, v. 8, n. SUPPL. A, p. 2–7, 2000.

HUNTER DJ. Osteoarthritis. Best Pract Res Clin Rheumatol. 2011; 25:801–14.

World Association of Laser Therapy. Recommended treatment doses for low-level laser therapy.[http://waltza.co.za/wp-content/uploads/2012/08/Dose_table_780-860nm_for_Low_Level_Laser_Therapy_WALT-2010.pdf]. Acessado em 20/03/2017.