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A HSDC (Hipersensibilidade Dentinária Cervical) é uma das enfermidades mais comuns nos nossos consultórios odontológicos. Pode surgir devido retração gengival por traumas ou fisiologicamente, expondo a superfície radicular, que, logo torna-se desnuda do cemento, tornando o tecido dentinário, muito permeável, vulnerável aos estímulos do meio bucal. Dessa forma, os tratamentos da HSDC visam desinflamação dos tecidos pulpares e periodontais, e também estímulo a deposição da dentina reacional, objetivos essenciais e, perfeitamente, atingidos pela Laserterapia.

A aplicação do laser de baixa intensidade para o tratamento da hipersensibilidade dentinária cervical é, em si, uma técnica muito simples. O mais importante é fazer um diagnóstico prévio preciso. É recomendável que o operador realize um exame clínico diferencial para que se tenha a certeza de que o tecido pulpar se encontra com uma inflamação reversível, sem trincas, sem lesão cariosa, sem contato prematuro ou excesso de carga mastigatória.
Atualmente, com os equipamentos de laserterapia apresentando potências de 100mW, um único ponto cervical na face onde o paciente acusar a sensibilidade dolorosa, ou seja, por vestibular ou por lingual acrescido do(s) ponto(s) apical(is), sempre por vestibular por estar mais próximo aos ápices, têm sido suficientes para tratar essa enfermidade (Fig. 1 e 2).

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Figura 1 – Desenho esquemático de dente molar inferior com os pontos, cervical e apicais (em cada raiz), de aplicação para tratamento de hipersensibilidade dentinária cervical, quando o equipamento apresentar pelo menos 100mW de potência (LIZARELLI, 2018).

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a                                               b

Figura 2 – Irradiação do elemento incisivo central inferior esquerdo (31) com laser infravermelho 808nm nos pontos cervical (a) e apical (b) (Laser Duo, MMOptics, São Carlos, SP, Brasil) (Arquivo pessoal).

Tanto o comprimento de onda vermelho (660nm) quanto os infravermelhos (780 ou 808nm) estão indicados nesse tratamento da hipersensibilidade dentinária cervical (VILLA el al., 2001). Porém, o infravermelho seria o mais indicado para a primeira sessão, e talvez na segunda, se a sensibilidade dolorosa ainda estiver insuportável, isso porque esse comprimento de onda, tendo uma atuação fotoelétrica, além de apresentar uma capacidade antinflamatória comprovada, modulando os marcadores da inflamação, pode mudar a polaridade de membrana, propiciando uma analgesia imediata. Então, nas sessões seguintes, o laser vermelho, que aumenta imediatamente a disponibilidade de óxido nítrico intra-celular, acelerando o metabolismo celular e incrementando a circulação tecidual, deverá ser o comprimento de onda de escolha. Outra possibilidade é combinar ambos os comprimentos de onda na mesma sessão.
Em cada sessão de irradiação, uma profilaxia e isolamento relativo devem preceder a laserterapia. Podem ser realizadas de três a quatro sessões, com intervalos de 72 horas entre elas. Na primeira sessão é recomendável o emprego do comprimento de onda infravermelho (780 ou 808nm), com uma energia total de 4J por ponto, buscando a bioinibição para o estímulo doloroso. Nas outras 2 ou 3 sessões, o comprimento de onda vermelho (660nm) está indicado, mas a energia total deverá ser de 2J por ponto, para que ocorra desinflamação do tecido pulpar e bioestimulação para a formação de dentina reacional (LIZARELLI et al., 2001 a, b, c; LIZARELLI et al., 2015).
Realmente a experiência clínica tem demonstrado que o intervalo de 72 horas parece ser o mais interessante, tanto para manter um nível confortável, durante o tratamento, quanto para minimizar a inflamação pulpar, contribuindo para o resultado final. Intervalos de uma semana entre as aplicações, não se mostram efetivas clinicamente, não para a maioria dos casos realizados.

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Profa. Dra. Rosane de Fátima Zanirato Lizarelli
PhD e Pesquisadora em Biofotônica – IFSC/USP