Entenda como o ozônio atua no controle microbiológico, na cicatrização e em diferentes aplicações terapêuticas na saúde.
O potencial antimicrobiano do ozônio
Nos últimos anos, o uso do ozônio tem se destacado devido ao seu elevado potencial oxidante, sendo amplamente empregado em diferentes áreas, especialmente no controle antimicrobiano. O O₃ atua sobre os microrganismos por meio da oxidação de componentes celulares, principalmente das membranas, provocando sua degradação e, consequentemente, a morte celular.
As propriedades antimicrobianas da água ozonizada têm sido amplamente comprovadas, apresentando resultados expressivos em estudos relacionados à desinfecção de superfícies, tratamentos endodônticos, em alimentos, tratamentos para água potável e na higienização das mãos e da cavidade oral, apresentando-se como uma alternativa aos desinfetantes convencionais à base de álcool e soluções líquidas, assim como enxaguatórios orais que promovam a precipitação de sedimentos que aderem aos dentes promovendo comprometimento estético, como a clorexidina.
A utilização terapêutica do ozônio ao longo da história

Há bastante tempo, observa-se a busca por terapias complementares que sejam economicamente acessíveis e eficazes. A ozonioterapia, que consiste na utilização do ozônio como agente terapêutico no tratamento de diversas doenças, vem sendo empregada desde o século XIX e atualmente é reconhecida em alguns países.
O primeiro registro de aplicação do gás ozônio ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, quando foi utilizado no tratamento de soldados alemães acometidos por gangrena gasosa, associada a infecções anaeróbias por Clostridium, microrganismo altamente sensível ao ozônio.
Benefícios terapêuticos da ozonioterapia
Essa terapia é utilizada no tratamento de diversas condições clínicas, podendo ser empregada isoladamente ou como complemento a outras abordagens. Utilizada há décadas em países desenvolvidos e respaldada por estudos que indicam seus benefícios, a ozonioterapia apresenta propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e moduladoras do estresse oxidativo, além de contribuir para a melhora da circulação periférica e da oxigenação tecidual.
| Propriedade | Benefício |
|---|---|
| Anti-inflamatória | Modulação inflamatória |
| Antisséptica | Controle microbiano |
| Oxigenante | Melhora da circulação |
| Cicatrizante | Reparação tecidual |
O uso de água ozonizada na área médica tem atraído a atenção de pesquisadores. Além de suas propriedades antibacterianas, o ozônio estimula a formação de novos vasos sanguíneos nas áreas afetadas, por isso existem alguns estudos que apontam o ozônio como uma alternativa viável para o tratamento de lesões cutâneas, também pode ser uma forma de aumentar a vermelhidão local, acelerar a formação do tecido de granulação, encurtar o tempo de cicatrização e induzir a adaptação ao estresse oxidativo.
Na odontologia, a ação antimicrobiana, a qual apresenta bastante relevância no tratamento periodontal, endodôntico e como uma vertente promissora em harmonização orofacial com inúmeras indicações e possibilidades. Esta ação diz respeito à inativação de microrganismos, que se dá por meio de uma interrupção na integridade do envelope celular através da oxidação de fosfolipídios e lipoproteínas.
Principais Aplicações
| Periodontia | Harmonização orofacial |
| Endodontia | Controle microbiano |
Ação antisséptica do ozônio
O efeito antisséptico do ozônio decorre de sua ação sobre as células microbianas, promovendo a destruição da membrana citoplasmática e alterações no conteúdo intracelular por meio de processos oxidativos secundários. Sua atuação é considerada seletiva em relação aos microrganismos, não causando danos às células humanas, sendo eficaz inclusive contra bactérias resistentes a antibióticos.
Do ponto de vista terapêutico, o ozônio contribui para a eliminação dos agentes etiológicos associados à gengivite e à periodontite, favorecendo a restauração do metabolismo celular e a adequada oxigenação dos tecidos. Esse processo auxilia no restabelecimento de uma microbiota periodontal compatível com a saúde, além de melhorar a circulação sanguínea e estimular mecanismos de ativação do sistema imunológico do hospedeiro.

Efeito bactericida e ação sobre o biofilme
Já o efeito bactericida do ozônio ocorre pela remoção do biofilme e pela ruptura da integridade da membrana celular, por meio da peroxidação de fosfolipídios e lipoproteínas.
A geração de radicais livres, resultante do contato com a água ozonizada, altera a permeabilidade da parede celular de acordo com sua estrutura e composição. Esses radicais podem penetrar na célula, inativar enzimas, inibir a expressão gênica e degradar o material genético, culminando na morte celular.
Ação antiviral do ozônio
Na inativação viral, os vírus são estruturas acelulares compostas por uma cápsula de glicoproteínas e fosfolipídios que envolve material genético (DNA, RNA ou ambos) e proteínas estruturais. Para que o ozônio exerça sua ação sobre esses agentes, é necessário que ocorra o dano ao capsídeo viral, bem como a interferência no seu ciclo de replicação, impedindo sua ligação às células hospedeiras por meio de processos de peroxidação.
Ozônio e SARS-CoV-2

Durante a pandemia de Covid-19, houve grande preocupação com as formas de contágio do vírus SARS-CoV-2, o que levou ao destaque de diferentes métodos de sanitização. Nesse contexto, estudos que investigam o uso do ozônio como alternativa voltaram a ganhar atenção. Estudos in vitro, em cultura celular, a ozonização demonstrou redução de 95,4% na concentração de SARS-CoV-2 após 10 horas de exposição ao O₃.
Aplicações na enfermagem e cicatrização
Na enfermagem, a ozonioterapia é amplamente utilizada no processo de cicatrização de feridas, principalmente por meio da aplicação de água e óleos ozonizados. O ozônio (O₃) atua de diferentes formas nesse processo, incluindo o estímulo do metabolismo do oxigênio (O₂), contribuindo para a reparação tecidual.
Considerações finais
Diversas são as aplicações terapêuticas do gás ozônio, que tem conquistado reconhecimento e sido cada vez mais estudado. Além de atuar diretamente na resposta imunológica, o O₃ também apresenta ação bactericida, fungicida e antiviral, além de potencial cicatrizante, favorecendo a aceleração do reparo de feridas e o tratamento de infecções, desde casos superficiais até sistêmicos. Esses efeitos podem variar de acordo com o modo de uso, a forma de aplicação, bem como fatores como temperatura, umidade e concentração do gás. O seu uso e dosagem adequados devem seguir rigorosos protocolos e deve ser realizado por profissionais capacitados, visto que o gás em altas concentrações podem ser tóxico.
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O uso da ozonioterapia tem apresentado resultados promissores em diversos âmbitos devido à demonstração de sua eficiência em casos distintos e à acessibilidade aos equipamentos necessários para a aplicação das técnicas, como o equipamento Emizox traz uma proposta alternativa e eficaz em diversas áreas da saúde.
Colaboração:

Dra. Karen Laurenti
Consultora Fisioterapia MMO

Ms. Liciane Toledo Bello
Consultora Odontologia MMO
